Vivemos em um tempo no qual a atenção é disputada a cada minuto. Desde cedo, crianças e adultos são chamados para diferentes estímulos: telas, barulhos, tarefas, demandas do cotidiano. Nós percebemos que, quando a atenção é treinada dentro de casa, a rotina familiar pode tornar-se não só mais leve, mas também mais consciente e conectada.
A atenção é como um músculo: quanto mais treinamos, mais ela se desenvolve. Pequenas mudanças nas práticas familiares podem fazer toda a diferença. Pensando nisso, reunimos seis formas práticas de treinar a atenção no dia a dia da família, com base em experiências e reflexões sobre o comportamento humano em casa. Vamos juntos?
1. Praticar presença nas refeições em família
Muitas vezes, as refeições acabam sendo momentos apressados ou acompanhados por dispositivos eletrônicos. Um passo real para treinar a atenção é transformar o momento à mesa em um espaço de presença. Sugerimos combinar alguns princípios simples, como:
- Desligar ou afastar celulares e aparelhos eletrônicos durante as refeições
- Observar a textura, cheiro e sabor dos alimentos, comentando entre si
- Perguntar como foi o dia de cada um, ouvindo de verdade, sem interromper
Sentar juntos à mesa é um convite à presença verdadeira.
2. Usar jogos de atenção e memória em família
Jogos de tabuleiro, cartas ou simples desafios de memória estimulam todos os membros da família a focarem em uma única tarefa. Em nossa experiência, escolher jogos que exijam turnos, regras e estratégias ajuda muito a fortalecer as redes de atenção das crianças e adultos. Além da diversão, há ganho de conexão entre todos.
Alguns exemplos que já testamos:
- Quebra-cabeças (de diferentes tamanhos para todas as idades)
- Jogo da Memória com temas diversos
- Jogos de sequência ou de atenção aos detalhes

3. Cultivar diálogos sem interrupção
Notamos que a escuta é um dos principais treinadores da atenção familiar. Muitas vezes, ao falar, somos interrompidos ou nossa história se perde em meio ao “multitarefa”. Propomos que, ao conversar, a família estabeleça alguns segundos de silêncio entre uma fala e outra.
Esse espaço, pequeno mas potente, incentiva a presença nos diálogos. Ouvir até o final, refletir antes de responder, permite que cada um se sinta visto e, ao mesmo tempo, treina a paciência e o foco das crianças.
Escutar com calma é diferente de simplesmente esperar a vez de falar.
4. Integrar práticas simples de atenção plena
Adicionar momentos de atenção plena à rotina familiar pode ser bastante leve. Não estamos falando de longas meditações, mas de exercícios adaptados à realidade da família, que convidam para o aqui e agora. Algumas sugestões que realizamos e indicamos:
- Respirar juntos por um minuto antes de sair de casa
- Observar o ambiente em silêncio por 30 segundos e comentar um detalhe percebido
- Andar descalços sentindo o chão, focando nos próprios passos
Essas pequenas práticas ajudam a reorientar a atenção e, ao mesmo tempo, ampliar a apreciação pelo cotidiano. Percebemos um aumento na calma e mais clareza em situações de conflito.

5. Estabelecer rituais de atenção antes de dormir
O momento do sono costuma ser um desafio em diversas famílias que acompanhamos. Introduzir rituais que envolvam foco, como contar uma breve história, recapitular o melhor do dia ou ouvir uma música tranquila, direciona a atenção para o presente e ajuda a preparar o corpo e a mente para o descanso.
Experimentamos algumas abordagens:
- Desligar luzes fortes e barulhos, substituindo por um abajur suave
- Diálogo calmo, evitando discussões nesse período
- Leitura compartilhada de um livro curto ou inventar histórias juntos
Rituais noturnos são oportunidades diárias de treinar a atenção para o que é positivo e seguro.
6. Viver experiências criativas e artísticas juntos
Artes e experiências criativas são fontes ricas de atenção. Seja ao desenhar, pintar, fazer origamis ou cozinhar juntos, todos são convidados a seguir passos, observar formas, cores ou sabores, e especialmente a estar presentes na experiência.
Criar junto é estar atento ao momento, à expressão e ao outro.
Notamos que as crianças, quando imersas em atividades criativas, conectam-se profundamente ao presente. O mesmo vale para adultos. Não é preciso grandes recursos: papel, lápis de cor, receitas simples ou música já transformam o ambiente doméstico.
Conclusão
A atenção na família não nasce pronta, mas se constrói a cada dia, em pequenas experiências. Sabemos que, ao escolhermos práticas que favorecem a presença, o diálogo e a escuta, transformamos não apenas a rotina, mas todo o campo de convivência familiar.
Praticar atenção juntos é um gesto de cuidado mútuo e desenvolvimento coletivo.
Nenhum treinamento é perfeito, mas cada tentativa consciente aproxima todos de uma relação mais harmônica consigo e com o outro.
Perguntas frequentes sobre atenção em família
O que é atenção plena na família?
Atenção plena na família é a prática de estar presente, consciente e receptivo ao que acontece no momento, sem julgamentos ou distrações. Isso significa escutar, observar e interagir intencionalmente com cada um, fortalecendo vínculos, respeitando limites e reconhecendo emoções em tempo real.
Como treinar atenção com crianças pequenas?
Com crianças pequenas treinamos a atenção tornando os exercícios leves e lúdicos. Atividades como jogos de memória, desenhos atentos, brincadeiras de silêncio ou explorar texturas e sons juntos convidam a criança a focar no que está vivendo. O segredo é praticar de forma breve, respeitando o tempo das crianças, e valorizar o esforço mais do que o resultado.
Quais brincadeiras ajudam a melhorar a atenção?
Brincadeiras que envolvem regras, memória ou observação são as mais indicadas. Jogar esconde-esconde, seguir o mestre, jogos de sequência, quebra-cabeças ou quem consegue ficar mais tempo em silêncio contribuem muito. O essencial é incentivar a participação ativa de todos, mantendo o ambiente descontraído e divertido.
Quantos minutos devo praticar atenção por dia?
Não há um número exato, mas iniciar com poucos minutos, de forma constante, já produz diferença. Entre cinco e quinze minutos diários de prática em família oferecem bons resultados. O mais valioso é manter a regularidade e a intenção, ao invés de buscar longas práticas logo de início.
Vale a pena usar aplicativos de atenção?
Aplicativos podem apoiar, desde que sejam bem escolhidos e usados com consciência. Costumam ser úteis como lembretes ou para guiar práticas em família, mas não substituem a interação direta e o treino no cotidiano. A ideia é usar a tecnologia como aliada, mas sempre equilibrando com experiências concretas e presenciais.
